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Quando a bicicleta é um vício



Sonhamos com o dia em que a cidade vai abrir os braços às bicicletas. Em que as ruas se vão encher de crianças felizes em atrelados ou em que os miúdos vão ter condições para irem às aulas na sua própria bicicleta. Um dia, nós não vamos ser os pais esquisitos. Vamos ser só mais uns. Iguais a tantos outros. Nesse dia, a cidade onde vivemos vai ser ainda mais bonita.

Houve uma altura, quando os miúdos eram mais pequenos e a escola era mais perto de nossa casa, em que conseguíamos ir levá-los de bicicleta. Ora iam na cadeira, ora iam no atrelado. E, sempre que era possível, o G. ia na sua própria bicicleta. Era uma forma de trabalhar a sua autonomia e responsabilidade. De nossa casa à escola eram uns 15/20 minutos de trajeto, quase sempre por ciclovia.




O facto de conseguirmos levá-los à escola de bicicleta, permitia-nos ir trabalhar da mesma forma. Conseguíamos optar por um estilo de vida mais saudável, mais feliz e mais de acordo com a nossa maneira de ser.

Quando a escola mudou e passou para o outro lado da cidade, mesmo no meio da confusão do trânsito, tudo se complicou. Para aqueles lados não há ciclovias, as estradas são apertadas e o caminho tornou-se perigoso. No Porto, infelizmente, não há muitas condições para usar a bicicleta com miúdos dentro da cidade. Há poucas ciclovias e as que existem estão sempre ocupadas por carros estacionados. As estradas são estreitas e, como as bicicletas são uma minoria, os carros reclamam o espaço todo para si. Este ano, a escola mudou. Aproximou-se de casa. E a bicicleta voltou a reinar.